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Há no ambiente evangélico brasileiro muita confusão sobre quem é o Espírito Santo e qual a sua obra entre os salvos. Por aqui há unção estranha, manifestações de dons estranhos, sentimentalismo extremo, cultos com hinos de poder, palavra de poder, fala-se de culto de avivamento, pregador e música avivada.
Mas seria isso uma indicação do que é a vida cheia do Espírito Santo, como a temos descrita nas Escrituras?
Afim de contribuir para essa reflexão e eliminar essas confusões, queremos apontar quatro princípios do processo bíblico de viver a vida na plenitude do Espírito Santo, pois não há como experimentá-la de maneira que honre a Deus, edifique a igreja e expanda o Reino se não obedecermos biblicamente aos processos estabelecidos por Deus como estão descritos nas Escrituras.
Vamos tratar desse assunto de maneira negativa primeiramente:
Ninguém pode ser cheio do Espírito Santo se não nascer de novo.
A obviedade dessa afirmação elimina qualquer tentativa falsificação emocional e até espiritual por parte de qualquer pessoa que reivindique estar cheia do Espírito Santo. Basta lembrar que muitos homens e mulheres na história da igreja, mesmo convivendo em ambientes religiosos precisaram experimentar o novo nascimento, o nascimento do alto. Assim foi com Agostinho, os irmãos Wesley e Marinho Lutero.
Nenhum ser humano nasce por si ou de si mesmo, pois seu nascimento depende de uma ação externa e antecedente a ele. De maneira análoga o mesmo acontece na conversão do homem morto no pecado. Somente através da ação de Deus é que esse homem pode experimentar a regeneração de seu espírito. De acordo com essa afirmação o evangelho de João diz que “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo. 1.13), também o apóstolo Paulo afirma que a regeneração é um ato de Deus quando escreve “Ele vos deu vida” (Ef. 2.1) e ainda, o apóstolo Pedro em concordância afirma esse ato regenerativo de Deus quando diz em 1Pd. 1.3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma vida esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.”
Assim para ser cheio do Espírito Santo é necessário nascer de novo.
Ninguém pode ser cheio do Espírito Santo se não houver uma rendição interior.
A nossa compreensão da natureza humana é limitada por causa da ruína do pecado, não compreendemos o nosso modo de agir em relação ao bem e o mal que está em nós e diante de nós todos os dias. Com isso, todos aqueles regenerados por Deus sentem no seu íntimo um gemer por conformidade com a Palavra de Deus, por santificação e semelhança a Cristo, por mortificação de seus pecados e por anelo ao céu.
Entretanto, para que todo cristão viva a vida de Deus de maneira plena enquanto neste tabernáculo, é necessário uma experiência de entrega plena e absoluta de vida, sem reservas, diariamente e em obediência irrestrita a Deus.
Nenhum cristão experimentará a plenitude do Espírito Santo em sua vida, se no trono de seu coração estiver assentado seu Ego ou qualquer outro ídolo. Essa experiência de resistência e rendição tem sido uma verdade na vida daqueles que experimentam a plenitude do Espírito Santo em sua vida. Desde o Antigo Testamento até nosso dias, homens e mulheres tem o poder do Espírito Santo e pela Palavra, assim temos o testemunho de rendição de Davi (Sl. 51), Isaías (Is. 6), George Muller, Eneas Tognini e de tantos outros que, destronando de modo quebrantado seus prazeres, deuses, segurança carnal, confiança no homem, e tantos outros impostores na alma, foram por fim tomados pela presença do Espírito Santo.
Assim, para ser cheio do Espírito Santo, que Ele cresça e que nós diminuamos.
Agora a vida cristã não deve ser vista como uma experiência apenas de negação, de crucificação do ego com suas paixões. Ser cristão é experienciar a plenitude do Espírito Santo de maneira viva e dinâmica para que o testemunho cristão seja adornado e embelezado com as virtudes do Espírito em nosso íntimo. Assim de modo positivo aprendemos pelas Escrituras outras etapas para uma vida cheia do Espírito Santo
A vida cheia do Espírito Santo acontece através de um processo de se conformar em obediência à Palavra de Deus.
Embora o senso comum pense no estilo de vida cristã como resultado de uma moralidade regida pela cultura judaico-cristã, ao tratarmos do que é a vida cristã precisamos entender que seus valores estão acima das tradições legadas por nossos pais, pois agora somos cidadãos do Reino de Deus, nossa regra de fé e prática é a Palavra, nosso modelo é o Filho de Deus, nossa ética é a ética do Reino, é o Primogênito de toda criação, nosso Senhor Jesus. Com isso, se alguém deseja uma vida cristã tomada pela plenitude do Espírito Santo, esta pessoa deve compreender que isso somente é possível quando a Palavra de Deus, os valores do Reino de Deus, o caráter de Jesus for sua santa ambição e desejo maior (Mt. 13.44).
Afirmamos isso pois o Espírito Santo opera somente mediante a Palavra de Deus, assim apenas a verdade do Espírito pode transformar e moldar nossa vida às alturas das exigências do Reino de Deus (Mt. 5.1-12). Quando isso ocorre, esse cristão será cheio do Espírito Santo, e como resultado será alguém cujo caráter estará seguindo mais em consonância e conformidade com o caráter de Jesus do que com aquela vida antiga que tivera outrora (2Co. 3.18).
Essa verdade libertadora pela Palavra tornará a vida de cada um dos filhos de Deus em uma vivência bendita, feliz e abençoadora no mundo.
Por fim, a vida cheia do Espírito Santo é experiência de todos os regenerados, santificados e aperfeiçoados em Cristo fora dos muros do templo.
Somos batistas nacionais e temos um marco distintivo: O Batismo no Espírito Santo como experiência bíblica para nossos dias atuais. Somos gratos a Deus por essa verdade! Assim, enquanto cada cristão batista deva estar em busca dessa experiência batismal com o Espírito Santo, ao mesmo tempo todos, em todos os lugares, devemos ser tomados de toda plenitude do Espírito Santo de maneira diária.
Para isso as Escrituras nos exorta a um tipo de comunhão com a bendita pessoa do Espírito Santo que inclua “mortificar os desejos da carne pelo Espírito” (Rm. 8.13), “se inclinar para as coisas do Espírito” (Rm. 8.5), “andar no Espírito” (Gl. 5.16), “viver no Espírito” (Gl. 5.25), “não apagar o Espírito” (1Ts. 5.19), “ouvir o Espírito” (Ap. 2.7), “ser guiado pelo Espírito” (Rm. 8.14) e por fim “ser batizados no Espírito Santo.”
Ao fim de cada culto nas igrejas locais faz parte de algumas liturgias impetrar a bênção apostólica sobre a membresia da igreja (2Co. 13.13). Neste ato, ao citarmos a comunhão do Espírito, trazemos à lembrança da igreja que todos devemos ter este tipo de relação viva e diária fora dos muros do templo local.
Conclusão.
Somente é possível vencer a força da lei do pecado, servir a Deus no mundo, falar entre nós com cânticos espirituais, edificar a igreja através dos dons, se estivermos vivendo na plenitude do Espírito Santo.
Não somente a igreja de Jerusalém viveu essa vida em dias conturbados para ela, como também milhares de cristãos em todo o mundo tem experimentado essa mesma realidade.
Que cada cristão batista nacional seja tomado de toda Plenitude do Espírito Santo ainda hoje.
Pr. Elias L. Fernandes,
é pastor na Igreja Batista da Fé em Rio Claro/SP e
Presidente da LERBAN (Livraria e Editora Renovação Batista Nacional).