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Os evangelhos retratam Jesus elogiando algumas pessoas e essas palavras não foram compostas banalmente. Houve, de fato, motivos fortes para que Ele se admirasse. Observemos em quais casos isto ocorreu:
Primeiramente, por causa da fé de um gentílico. Era um centurião romano (Mt. 08:05-13), que por ter apreço por seu encarregado que estava enfermo, pediu implorando a Jesus que o curasse. Diante de tal pedido, com certeza não haveria recusa por parte do mestre, que, então, desloca-se em direção ao enfermo, e é automaticamente barrado com a seguinte declaração (versículos 08 e 09):
"Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois Também eu sou um homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: 'vai', e ele vai; e a outro: 'vem', e ele vem; e ao meu servo: 'faze isto', e ele o faz."
Jesus, ao ouvir essa declaração, relatou que nem mesmo entre os israelitas e em todo o território, ouviu uma pessoa com confiança tão inabalável n’Ele e em sua Palavra. Cristo estava levantando verdadeiras colunas de fé, até mesmo fora do arraial israelita. E este exemplo era fruto e reflexo das suas ministrações. Plena certeza de fé é o nível certo para Ele tanto admirar, quanto elogiar você.
O segundo cristão elogiável é uma mulher, que, por sinal, também não é judia, mas Cananéia (atual Líbano) (Mt. 15:21-28). Agora, não era enfermidade, mas a possessão de sua filha, que provocava desespero constante. A maneira como ela abordou Jesus, retrata o seu drama: "[...] Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim!" (verso 22).
Sabemos que é exatamente assim que qualquer mãe ou pai, que tem amor aos seus filhos agiria.
Neste caso, Jesus não foi prontamente solícito, e por suas razões, resistiu ao pedido. No entanto, essa atitude não inibiu a insistência da mãe, que perseverou na intercessão, coisa que era latente em sua alma, fazendo com que Cristo parasse mediante a sua adoração: "Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: 'Senhor, socorre-me!'" (verso 25).
Houve aqui um ponto bem favorável, mas não definitivo. Ao insistir em seu pedido, com contínua humilhação, recebeu do mestre um elogio: "[...] 'Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres'. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã." (verso 28).
Observemos que a adoração, seguida de humilhação, com a força motriz da perseverança, traz sobre si a boa palavra de reconhecimento carregada de elogios do seu salvador.
Como último exemplo de cristão que Cristo elogia, cito outra mulher, a pecadora (Lc. 07:36-50). Parece contraditório, mas Jesus desafiou até mesmo os religiosos, elogiando pessoas as quais não eram dignas para eles nem mesmo de conviverem em sua classe social.
A cena ocorre na casa de um certo fariseu chamado Simão. Todos são surpreendidos ao adentrar ali uma mulher portando um vaso de unguento para ungir os pés de Jesus. O anfitrião repudiou o ato por conhecer sua fama de pecadora, além de denegrir o poder de discernimento de Cristo, considerando-O um alienado.
Ao perceber isso, Jesus propõe uma parábola onde estabelece que pessoas com uma experiência profunda de perdão da parte de Deus serão as mesmas que devotarão a Ele, sem reservas, plena gratidão. Assim, Cristo encheu de elogios aquela que já não tinha mais credibilidade com os homens, mas estava cheia de dignidade junto a Deus. E, tudo por causa da sua postura ao se abaixar, ungir, chorar e enxugar os pés do Mestre com os próprios cabelos, além de beijá-los.
Percebo que gestos assim sensibilizam o coração de Deus, e que Ele não poupa elogios aos seus servos. Percebo, também, que se tornam memoriais, como sinal de que são exemplos para as próximas gerações, e porque não dizer séculos e milênios. É o caso do texto paralelo a este (Mc. 14:03-09), em que Jesus faz questão de deixar registrado: "onde for pregado em todo mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua." (verso 09).
Logo, o cristão que crê, adora e serve a Deus, é elogiado por Ele, como testemunha de que é uma pessoa que faz a vontade do Senhor sem autopreservação.
Pr. Sérgio Mascarenhas,
é pastor na Igreja Batista Central em Vila Maria, em São Paulo/SP, e Diretor-geral do STBN-ET (Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini).