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Jesus nunca deu “ponto sem nó”. Seus atos tinham e focavam um propósito, apesar de serem aparentemente sem nexos. Juntamente com suas palavras, Ele se tornava bem intrigante, o que agravava o quadro, quando ainda falava em parábolas. Seus ouvintes (fariseus, saduceus, herodianos, escribas, etc.) ficavam inquietos buscando uma falha para o acusarem. Era a torcida do “tomara que dê errado”, “quanto pior, melhor”, “não falei que não ia dar em nada!”.
E isso não foi diferente quando Cristo estava na sinagoga e se deparou com um homem cuja uma das mãos era ressequida (Mc. 03:01). Em tal clima, essa turminha que citei acima, fica mais preocupada com as falhas, meticulosidades, tradições, metodologias, grifes e pedrigrees do que com vidas. Trocam descaradamente o coerente pelas suas convicções maldosas. Preferem se enraizar em seus apegos teológicos, do que transitar para o benefício ao próximo, através do veículo chamado amor. E como alguém já disse: “teologia é igual à comida, se estiver boa alimenta, se estiver estragada pode até matar”. E tais, se omitem e se silenciam juntamente com suas “teolatrias” (idolatria à teologia), mesmo diante de perguntas óbvias.
v.4. "...é lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio."
Daí chego à conclusão de que poucos têm limitações aparentes, mas muitos tem limitações escondidas, camufladas, ignoradas:
v.5. "Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração...".
Ora, uma vez que aquele ajuntamento era só pró-forma; para cumprir tabela; valorizando mais o rito do que Deus ou o homem; sem transformação do interior. Motivando acusação ao invés de libertação, cura, salvação. Com ausência do temor de Deus e de Cristo. Focando morte e maldade do que vida e bondade. Sem manifestação da essência religiosa, amor.
Cristo, então, expõe uma pessoa, que aparentemente era inferior aos olhos da lei (Lv. 21:18-24), tanto para romper de vez com a religião engessada, política e escusa dos judeus, quanto, e principalmente, para dizer a que veio: restaurar todo homem (universalismo) e o homem todo (individualidade):
v.5 "...disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada."
Cristo não expõe por mero prazer de expor, mas com a intenção de deixar uma mensagem, fazer uma propaganda, reforçar sua doutrina e valorizar a quem ama. Ele ressalta a pessoa em si e não o problema.
Notemos que várias coisas foram expostas neste texto (Mc. 03:01-06), não somente o que é aparente. Creio ser esta a razão de alguns textos que dizem que quando Ele se manifesta, simultaneamente com seu poder, tudo o que é oculto é manifestado também (Jo. 01:05, Ef. 05:13).
Não tenha medo de se expor. Não tenha vergonha do que as pessoas dirão. Não valorize os julgamentos humanos, porque na sua maioria são para condenar e não salvar. Não se auto-preserve à margem da vontade de Deus, privatizando-se juntamente com seus defeitos. Venha para o meio (v.3 E disse Jesus...: Vem para o meio!). No meio você está na mira de Deus. E a vista de Deus será surpreendido pelo seu poder e palavra.
Pr. Sérgio Mascarenhas Aguiar,
é pastor na Igreja Batista Central em Vila Maria, São Paulo/SP, e
Diretor Geral do STBN-ET (Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini).