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Evangélicos e dai?

Publicado em: 24/02/2019 por CBN-SP

Evangélicos e dai?

Em que o crescimento da igreja evangélica no Brasil afeta a sociedade ?
Dois pontos do pacto das igrejas evangélicas em 1974 na cidade de Lausanne, Suiça afirmou as seguintes proposições acerca da missão evangelizadora da igreja e sua influencia na sociedade:

Quanto a natureza da evangelização
“Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.”

A Igreja e a evangelização
“Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.”

Destas afirmações podemos perceber que em relação à nossa prática missionária evangélica brasileira:
– Passados mais de 30 anos depois de Lausanne, somos a maior expressão evangélica pentecostal do mundo e em franco crescimento com o neopentecostalismo.
– Somos mais de 42,3 milhões de evangélicos brasileiros em seus diversos seguimentos. O último Censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostrou que embora o Brasil seja reconhecidamente território do catolicismo, houve uma redução na quantidade de pessoas de orientação católica e um crescimento dos evangélicos para 22,2%.
– Temos à disposição os meios de comunicação locados ou como patrimônios. Na matéria do jornal Folha de S. Paulo temos a seguinte descrição deste estado de coisas: “Mas é emblemática de um fenômeno dos anos 90: a exploração das emissoras de rádio (AM e FM) e de TV por igrejas evangélicas e pentecostais. Em São Paulo, estimuladas pela crise financeira que atinge o rádio, primeiro as igrejas tomaram as emissoras de AM. Hoje, de 29 emissoras AM em operação na Grande São Paulo, 15 _ou 51,7% do total_ têm algum vínculo com o cristianismo. Entre essas 15, 10 são ligadas a evangélicos, das quais 7 têm suas programações totalmente controladas por igrejas evangélicas.”
– Estamos ainda presentes nos três poderes de forma visível e possuímos maior visibilidade social, em nossa atuação nos setores de bem-estar social.

Mas será tudo isso resultado do que se pactuou por parte da igreja evangélica nas decisões de Lausanne? Será que estes números respondem por si acerca de uma transformação nacional?

Dentro da perspectiva missionária do pacto de Lausanne essas respostas recebem um enfático “Não”.

A razão dessa resposta está nas condições do “como” estamos crescendo e qual tem sido impacto deste crescimento dentro e fora da igreja brasileira.
Na comissão de Jesus à igreja emergente de Jerusalém ele expressou à necessidade do anuncio da mensagem evangélica acerca da chegada do reino de Deus. A aceitação arrependida dessa mensagem seria a porta de entrada para o Reino de Deus.
O arrependimento só ocorreria se houvesse um transformar da consciência morta para uma nova vida gerada pelo Espírito, criada para um novo nascimento desse indivíduo pelo poder regenerador e santificador do Espírito Santo. Essa era a essência da missão evangélica nos primórdios.

Uma vez que esta igreja oferecia essa mensagem pessoalmente regeneradora, onde Cristo era anunciado como Salvador e Senhor, as massas convencidas pelo Espírito de Deus, eram inseridas na igreja e na vida da igreja conscientes de sua decisão radical de ruptura com o mundo, e de uma novo estilo de vida onde pela fé deveriam se “considerar mortos para o pecado e vivos para Deus.” (Rm 6:11)
Em decorrência desta singularidade, ela vivia em estado de graça e poder no dia-a-dia. Percebia-se com isto sua franca expansão numérica dentro e fora de Jerusalém, basta ver uma pesquisa rápida e ver como a questão númerica fica em evidência no livro de Atos dos apóstolos nos 13 primeiros capítulos.
Ela tinha apenas que pregar as boas novas, pois “não podiam deixar de falar das coisas que tinham visto e ouvido” (At 4:20) e ainda fazer com que cada cristão ao sair para viver a vida, disperso da comunidade seja por vocação secular ou por perseguição “fosse por toda parte anunciando” (At 8:4) a mesma mensagem recebida, que transformaria aquela e outras sociedades, como a de “Samaria e até aos confins da terra” (At 1:8).

Eis aqui o grande desafio hoje para a igreja dentro do contexto biblico e que foi proposto em Lausane. Este desafio nada tem haver com o enfrentamento com diabo e seus demônios. Muito menos está relacionado com as circunstâncias políticas que envolvem o mundo muçulmano e um restante comunista. As seduções do capitalismo e do posmodernismo não são impedimentos em si mesmo. Não.
O desafio não é continuar a crescer nas próximas expectativas verificáveis do censo, mas sim voltar a crescer dentro da fidelidade da comissão de Cristo para com evangelização bíblica por nossa parte, onde Ele deve ser anunciado como o Senhor e Salvador.

Que cresçamos, mas como uma igreja santa, “sem mancha e sem mácula”, que cresçamos no testemunho fiel as Escrituras, que cresçamos na ação transformadora pelo poder do evangelho de Cristo na sociedade caída e que cresçamos vivendo como comunidade transformadora no mundo.

Pr. Elias Lopes –
Pastor – Igreja Batista da Fé
Diretor Geral – Seminário Teológico Batista Nacional Dr. Paulo de Sousa Oliveira

 

 

 

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