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A difícil arte de perdoar

Publicado em: 28/05/2015 por CBN-SP

Perdoar

“Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe respondeu: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18.21,22)

O tema mais recorrente nas Escrituras Sagradas sem dúvida alguma é o perdão. A base de nossa fé cristã está alicerçada no fato maravilhoso do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Neste gesto divino foi aberto de uma forma irreversível o caminho da salvação. Em Jesus Cristo tivemos o perdão e o livre acesso à presença de Deus. Hoje temos comunhão com o Pai porque, num ato de amor, Ele entregou o seu filho Jesus para morrer pelos nossos pecados.

Não existe arma mais desconcertante e mais eficiente do que o perdão. Jesus sem um grande império ou armamentos poderosos conseguiu através de sua mensagem espalhar as sementes do Evangelho por todo o mundo. Quando perdoamos alguém, além de darmos um descanso para a nossa alma, alcançamos o perdão de Deus. Quem não consegue perdoar necessita de maior comunhão com Deus. A “Parábola do Credor Incompassivo” demonstra claramente a injustiça que cometemos ao não perdoar alguém. Não temos o direito de continuar negando o perdão de nossas pequenas dívidas humanas, pois Deus, num ato imenso de misericórdia, nos perdoou de uma dívida impagável.

Também não podemos esquecer que perdoar não inclui a cobrança da mudança de comportamento. Deus enviou seu filho para toda a humanidade pecadora, mas nem todos aceitarão a Jesus como salvador. O perdão é incondicional, senão não seria perdão mas sim apenas uma retribuição de um ato injusto.

Não perdoar nos traz sérios problemas para a família. Um pastor crendo que fora injustiçado passou a perseguir através de cartas anônimas e afirmações mentirosas seu pastor presidente. Anos se passaram, ele adoeceu gravemente, sua família se desestruturou e, apesar de tudo, não conseguiu provar que estava com a razão. Finalmente fez as pazes depois de muita dor e sofrimento desnecessário.

Conta-se que um garoto irado com seu irmão mais velho foi até seu pai dizendo com grande indignação que gostaria que algo de mal acontecesse ao irmão ofensor. O pai com muita sabedoria ouvia atentamente a fala raivosa de seu filho enquanto carregava um saco de carvão até o quintal. Quando o menino parou um pouco de desfiar seus queixumes o pai propôs algo inusitado. Pediu para que o menino esvaziasse o saco de carvão, jogando pedaço por pedaço em uma camisa branca dependurada no varal. O garoto não pensou duas vezes e ficou a tarde inteira acertando aquela camisa, ao mesmo tempo que praguejava contra seu irmão. Quando o carvão acabou, o menino chegou com ar vitorioso diante do pai, falando sobre como havia ficado suja a camisa branca. O pai calmamente levou o infante diante de um espelho no quarto. O menino contemplou o seu estado e percebeu que estava muito mais sujo que a camisa do varal. Seu pai encerrou essa lição prática dizendo que ao atacarmos e odiarmos alguém angariamos para nós muito mais problemas e dificuldades. Tornamo-nos muito mais sujos que aqueles que desejamos atingir. Se percebêssemos o quanto faz bem para nós o perdão, sem dúvida, perdoaríamos constantemente.

Existe um fator complicador quando não exercemos o perdão continuamente, o tempo. Quando não pagamos os juros do cheque especial enquanto estão pequenos, fica muito difícil pagá-los depois de vários meses. Se não formos rápidos em acertar nossas pendências, elas vão se avolumando de tal forma que fica difícil acertar depois.

Outro fator é a interferência de terceiros, tentando se intrometer em assuntos nos quais não foram solicitados. Alguns irmãos acabam fomentando as rixas como meninos que vibram quando contemplam uma briga de seus colegas. Precisamos de muita sabedoria para ajudarmos na reconciliação de dois irmãos. Se não a temos é preferível ficarmos calados apenas orando a Deus.

Para uma vida em comunidade não há outro caminho. Ou perdoamos, ou perdoamos. Se não houver a prática do perdão, com esse ato estamos dizendo ao outro que não queremos sua presença perto de nós. Estamos excluindo uma pessoa que Deus mandou para que cuidássemos. Certamente prestaremos contas a Deus pela intransigência e pelo duro coração no trato de nosso irmão.

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. I Jo 4.8

“Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Mt 6.12

 

Pr. Mauricio Abreu de Carvalho

 

 

 

 

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